14 set 2017 às 10:38 am

Botafogo e Grêmio ficam no empate sem gols no Nilton Santos

Tudo igual na primeira partida das quartas de final da Libertadores

botafogo

Se fosse para empatar em casa, que fosse sem gols. Afinal, ainda que o Nílton Santos cheio esperasse celebrar uma vitória, o resultado permite que, na semana que vem, em Porto Alegre, o Botafogo vá à semifinal da Libertadores com um empate com gols ou, é claro, uma vitória. O 0 a 0 entre Botafogo e Grêmio deixa algumas missões para o alvinegro até o confronto da volta.

Se o placar retratou um jogo em que raramente o Botafogo encaixou seus contragolpes habituais, conseguiu jogar em velocidade, a missão será encontrar os caminhos no Sul. Em tese, a Arena do Grêmio levará o rival a permitir mais espaços. Além disso, o jogo de ontem mostrou um Botafogo que, embora não tenha ficado à vontade com a posse de bola gremista, também não permitiu ao adversário tantas chances claras, embora uma em cada tempo tenha aparecido. Segurar a capacidade criativa do Grêmio será mais difícil daqui a uma semana. Afinal, Luan deve voltar. Mas, fundamentalmente, será preciso evitar que Arthur jogue.

Quando Fernandinho arrancou pela esquerda, às costas da defesa alvinegra, e levou perigo ao gol de Gatito Fernández, parecia um sinal de que os papéis habituais de Botafogo e Grêmio iriam se inverter: os gaúchos buscando contra-atacar, obrigando o time carioca a ficar com a bola. O que aconteceu no primeiro tempo, no entanto, foi ainda mais desconfortável para o Botafogo.

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                                                                              Roger lamenta chance perdida – Márcio Alves

Sem abrir mão da bola, do controle, os gaúchos, que tiveram 56% de posse na primeira etapa e trocaram quase o dobro de passes dos alvinegros, conseguiram tirar o Botafogo de sua zona de conforto. Ao acertar 91% dos passes, o Grêmio mostrava que pretendia ser cuidadoso com a posse de bola para evitar perdas de bola, impedir o jogo de transições, o contragolpe que a equipe de Jair Ventura pratica tão bem. E sempre que se viu obrigado a atacar uma defesa posicionada, o Botafogo se viu sem ideias. Criou pouco.

Uma roubada de Matheus Fernandes, o volante que foi parar na área para finalizar com perigo, foi o melhor lance que o Botafogo produziu antes do intervalo. Justamente quando criou as condições de que mais gosta para jogar. .Ou no cruzamento de Gílson, que Bruno Silva emendou rente à trave de Gatito.

Mas o fato é que o controle do campo era gremista. E quando se fala em controlar o campo, ditar ritmos, decidir quando acelerar e quando cadenciar, fala-se em Arthur. Foi o dono do campo, governou o jogo. Acertou todos os passes, distribuiu jogo, chegou a arrancar driblando rivais para alcançar a área e concluir.

O cenário do jogo coloca em discussão a opção de Jair Ventura por fazer de João Paulo um dos dois volantes à frente da zaga, ao lado de Matheus Fernandes. Fez a função que foi de Leandrinho no clássico com o Flamengo, no último domingo. O caso é que a sensação é que o alvinegro tinha menos presença física no meio-campo, porque Léo Valencia, que atuava mais próximo a Roger, tem característica mais ofensiva do que João Paulo, habituado a fazer a função. Assim, o time se espaçava e a pressão sobre os volantes do Grêmio — Arthur entre eles — era menor e o Botafogo tinha raras recuperações de bola que ligavam contra-ataques. Por outro lado, escalar Lindoso impunha outra questão a Jair: ele ficaria com três jogadores voltando de lesão juntos em campo, já que esta também era a situação de Carli e de João Paulo.

POR CARLOS EDUARDO MANSUR / O GLOBO

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