11 set 2017 às 4:21 pm

Executivos da JBS deixam PF em SP e vão para Brasília

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Joesley deixa a sede da PF (Polícia Federal) em São Paulo com destino a Brasília

 

O empresário Joesley Batista, sócio do grupo JBS, e o executivo Ricardo Saud deixaram a sede da PF (Polícia Federal) em São Paulo por volta das 10h30 desta segunda-feira (11). Os dois delatores, que tiveram a prisão decretada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), foram levados ao aeroporto de Congonhas, na zona sul, de onde vão decolar para Brasília.

Na capital federal, onde devem ficar presos pelo menos até sexta-feira (15), já que se trata de prisão temporária de cinco dias, Joesley e Saud devem passar por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal).

Os pedidos de prisão de Batista e Saud haviam sido feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na sexta-feira (8). No domingo (10), o ministro Edson Fachin, do STF, acolheu os pedidos. Janot também havia pedido a prisão do ex-procurador Marcello Miller. Fachin, no entanto, não aprovou a prisão.

A reviravolta no caso correu após a Procuradoria-Geral da República ter tido acesso a uma gravação na qual Joesley e Saud falam de uma possível ajuda de Miller, quando ele ainda era procurador, nas tratativas da delação premiada do grupo.

Para o ministro, há “indícios suficientes” de que os dois violaram o acordo de colaboração premiada ao omitir a participação de Miller no processo de delação. Fachin afirmou ainda que há indícios de que as delações ocorreram de maneira “parcial e seletiva”.

Buscas e apreensões nesta segunda-feira

Na manhã desta segunda-feira (11), a PF fez buscas na casa de Miller e também na sede da JBS. Em nota, a PF informou que “policiais federais cumprem cinco mandados judiciais expedidos pelo ministro Edson Fachin. São quatro mandados de busca e apreensão na cidade de São Paulo e um no Rio de Janeiro”. Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, a PF foi atrás de documentos e gravações.

Os advogados de Miller afirmaram que o ex-procurador “recebeu com tranquilidade” às ações nesta manhã e que colaborou com as equipes de investigação “apresentando tudo o que foi solicitado”.

“[Miller]” continua à disposição, como sempre esteve e sempre estará, para prestar qualquer esclarecimento necessário e auxiliar a investigação no restabelecimento da verdade”, afirmaram seus defensores, André Perecmanis e Paulo Klein, por meio de nota.

Segundo a “Folha de S. Paulo”, o advogado Antônio Carlos Almeida Castro, o Kakay, que defende Joesley e Saud, afirmou que “as buscas eram esperadas”.

JANOT, NESTA SUA ESCOLA EU FUI PROFESSOR

Primeira noite na carceragem

Batista e Saud se entregaram à superintendência da PF em São Paulo por volta das 14h de domingo. Ambos ficarão detidos por cinco dias. Os dois passaram a noite na carceragem da PF na capital paulista.

Kakay afirmou que Janot agiu com “falta de lealdade”. “Entendo que os delatores ao assinarem a delação cumpriram rigorosamente tudo o que lhes era imposto”, disse Kakay.

“Os clientes prestaram declarações e se colocaram sempre à disposição da Justiça. Este é mais um elemento forte que levará à descrença e à falta de credibilidade do instituto da delação”, complementou.

Mandados de prisão

Ao aceitar as prisões, Fachin afirmou que tanto as prisões de Joesley quanto a de Saud são necessárias por causa da “probabilidade de que os representados, uma vez em liberdade, possam interferir no ato de colheita de elementos probatórios”.

“Há indícios de má-fé por parte dos colaboradores ao deixarem de narrar, no momento da celebração do acordo, que estavam sendo orientados por Marcello Miller, que ainda estava no exercício do cargo, a respeito de como proceder quando das negociações, inclusive no que diz respeito a auxílio prestado para manipular fatos e provas, filtrar informações e ajustar depoimentos”, disse

Ex-procurador

Janot também havia pedido a prisão do ex-procurador Marcello Miller, mas Fachin não viu, por ora, “elemento indiciário” de que ele tenha sido “cooptado pela organização criminosa” com a “consistência necessária à decretação da prisão temporária”.

O ministro, porém, aponta que “há indícios de que pode ter praticado o delito de exploração de prestígio e até mesmo de obstrução às investigações”.

Em nota, a defesa de Miller diz que “repudia veementemente o conteúdo fantasioso e ofensivo das menções ao seu nome nas gravações divulgadas na imprensa e reitera que jamais fez jogo duplo ou agiu contra a lei”.

“Não tinha contato algum com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nem atuação na Operação Lava Jato desde, pelo menos, outubro de 2016. Nunca atuou na Operação Greenfield, nem na Procuradoria da República no Distrito Federal. Nunca obstruiu investigações de qualquer espécie, nem alegou ou sugeriu poder influenciar qualquer membro do MPF.”

OUÇA A ÍNTEGRA DA CONVERSA ENTRE BATISTA E SAUD

Fonte: UOL

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