5 jun 2017 às 6:43 pm

Segue impasse entre postos de combustíveis e Good Card

Já se passaram nove dias desde que os postos de combustíveis do Ceará, através do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos-CE), informaram que deixarão de receber o Good Card como método de pagamento. Neste período, a empresa enviou representantes para o Estado, com o objetivo de conversar e negociar com os empresários. Contudo, as conversas com a entidade representativa não avançaram, e segue o impasse entre eles.

Por um lado, o Sindipostos alega que os valores cobrados dos empresários pela Good Card estariam acima da média do mercado. Conforme o diretor Paulo Sérgio Pereira, chegaram a entrar em contato para tentar negociar. O que não teria acontecido, até o fim do prazo dado pelo Sindicato, encerrado no último dia 25. Por outro lado, a Good Card diz que tenta negociar individualmente com cada empresário. Alega que seus cálculos dependem de variáveis que não poderiam ser verificadas em coletivo, como queria o Sindipostos.

Na última segunda-feira (29), conforme Pereira, houve uma nova reunião com os empresários. E foi dado um ultimato: a partir da próxima segunda-feira (5), o cartão deixará de ser aceito em grande parte dos estabelecimentos cearenses. “Tivemos reunião com representantes de postos e chegamos à conclusão de que eles (Good Card) não querem acordo. Estão visitando revendedores, fazendo propostas e taxas diferentes e decidimos em assembleia que não vamos mais negociar. Pedimos reunião com eles, foram ao Sindicato, não fizeram proposta, ficaram visitando clientes aleatórios, individualmente. Queríamos uma negociação coletiva. A taxa atual é em torno de 5 a 5,2%, é um custo alto”. O Sindipostos informou que “jamais interferiu na relação comercial privada entre os postos associados e quaisquer operadoras de cartão de crédito”.

Em nota, a Ticket Log, que utiliza a marca Good Card nos cartões de abastecimento, informou que “se mantém aberta às negociações com seus parceiros comerciais, desde que as mesmas sejam realizadas de forma direta e individual com cada um destes estabelecimentos”.

“As condições comerciais em seus contratos são calculadas com base em uma série de indicadores e são realizadas individualmente com cada estabelecimento a ser credenciado ou que já seja credenciado. Esta postura foi claramente esclarecida durante a reunião realizada com Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Ceará e formalizada por meio de um documento oficial. A Ticket Log informa ainda que em todas as suas relações comerciais adota uma conduta idônea, em conformidade com a legislação brasileira, em suas negociações com todos os públicos. Reforça ainda que tem um Código de Ética e Conduta e processos internos que visam garantir um relacionamento transparente e ético”, explicou a empresa.

Problemas

A não aceitação do cartão Good Card pode prejudicar vários clientes, sendo o principal deles o governo do Estado. Os veículos oficiais do Ceará abastecem somente utilizando como método de pagamento a bandeira em questão. “Eles (Good Card) têm o trunfo na mão dos órgãos públicos (como clientes). Mas estão sentindo na pele que não é blefe. A gente não quer deixar os consumidores na mão, mas não dá, numa época de recessão, para trabalhar mais com eles”, disparou Paulo Sérgio Pereira.

A Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) informou que o governo do Estado não pretende interferir na polêmica, a menos que ocorra “situação de desabastecimento”. Conforme o órgão, a empresa Good Card foi vencedora do processo público de licitação, no qual foi firmado o compromisso pela empresa de manter uma rede mínima de postos credenciados para o abastecimento. Tal número, contudo, não foi informado à reportagem.

“Negociações, preços e prazos entre a Good Card e postos credenciados são uma relação contratual entre entes privados e não compete ao governo estadual interferir; Somente em situação de desabastecimento ou número insuficiente de postos credenciados é dever do estado agir”, informou a nota.

Fonte: Diario do Nordeste

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